praxis
Nego a tua existência, faço-te crer que só aquilo que digo está certo.
Fecho lentamente os teus olhos com os meus dedos ensanguentados pelo ódio de tantas e tantas vezes, tão lentamente que nem sentes o tremular do meu corpo inteiro.
Teatro.
Faço e volto a fazer, foi assim que me ensinaram e é assim que te vou ensinar.
Perpetuamo-nos.
No momento em que te rebaixo tu não sabes que não me estas a causar o minímo gozo.
Engano.
Tu pensas que um dia vais sentir esse gozo.
Incómodo.
Custa-me saber que vais passar pelo que eu passei.
Acredita.
Que ver-te assim a ser massacrado faz-me mal.
Feridas.
Que se abrem ao ter-te nas minhas mãos, obrigas-me a recordar o meu percurso.
Porque como diria alguém que hoje já não está entre nós, "o que há de mais fundo nesta conduta é a incapacidade de distinguir o bem do mal".
Tradição.
Numa palavra.
Tradição.




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