domingo, outubro 10, 2004

Four

E então algo tem que vencer o medo de mim próprio pois sei que fui eu que o criei. Sempre a mesma teoria. Acende um cigarro e disfruta. Acender o rastilho que leva à própria morte. Deveras estúpido. No entanto é extremamente agradável. Em vez de criar raiva cria desejo. Demasiado estimulante. Torna-nos super vulneráveis. Fumar é sensacionalmente ridículo. Mas tem o poder angelical de mudar a beleza em negrume. A droga é um ser que respira o ar orgânico de forma estúpida sendo negada na sociedade. O caso é que ela pode magoar. O tabaco é lento, mortal mas fantasticamente uma moda psicológica mas quase imoral. Apenas porque fornece desejo. Alcool é a espécie ignorante. Tem o poder de ser uma coisa falhada. Suborna aquele que, supostamente, ou é inocente, ou não quer saber mais nada daquilo que o rodeia pois o que o rodeia é aquilo que ele já não suporta mais e isto leva-o a uma tremenda confusão que ele não está para suportar. Posteriormente, escolher as tuas chances. Consumo! Porquê consumo agora? É certo que por vezes tudo não passa de uma subjugação autista, pensam eles. Convalesçam em paz que eu acabei. Ou se desejarem, pereçam. Retomo a linha de pensamento que à causa de um imprevisto larguei. As cores apresentadas foram o incolor, o amarelo torrado e o amarelo vivo. E porque num mundo à semelhança de um ecrã, e o próprio à semelhança de Magalhães, convertido em segundos, mostra que ser incolor é ser menor. Não interpretar o «menor» como miúdo! Já Pessoa dizia (desculpem o ter recorrido ao senso comum que, aliás, é o único que sei interpretar razoavelmente): A única idade pura é a da «meninice». A pós «meninice» é uma idade de valores altamente instáveis que indevidamente controlados podem fazer cair uma pedra da gigantesca pirâmide a que chamamos vida, mundo, sociedade actual. É urgente dar-lhe a atenção devida. È urgente percebe-la a fundo. E para finalizar... já me escapava sem vos questionar sobre o juízo de Pessoa, cuja frase penso não ser esta exactamente igual, mas a ideia é a precisa. Mas, assim como eu não tenho por direito questionar-vos, não questioneis igualmente pessoa, pois é universal o sentimento, a verdade que ele exprimiu. E penso que na vossa vertente empírica reconheceis isso ultra-obviamente.
Despeço-me deste four com a ideia que a partir de agora vou alargar mais, vou esticar a fundo e aproveitar a vossa capacidade de imaginação. Espero muito sinceramente divertir-me em vossos fluidos.